É que ele chegou nem sei como... e foi ficando não sei porquê. E me fala umas coisas todas as manhãs que vão transformando essa coisa que bate aqui dentro... e me olha dessa maneira assim, nessa distância que não sei quanto mede mas que me custa muito... eu já nem consigo definir em palavras...
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Distance
Sur mon corps repose l'absence de ton corps
Me manquent les mots
pour expliquer que ton absence me remplit et ta présence me manque
Me manquent les mots
pour expliquer que ton absence me remplit et ta présence me manque
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Sina?
Escrevo sem saber escrever. Escrevo por que sei que não escrevendo torno mais aguda esse ausência de palavras. Escrevo por saber que escrever exige labuta e eu, preguiçosa como sou, nunca chegarei a ser hercúlea, entretanto, preciso viver do suor do meu rosto e sentir minhas dores aumentadas pelo fruto que nunca nasce. Palavras me doem na alma com contrações de cinco em cinco minutos. Escrevo por que vejo o mundo através de um microscópio caleidoscópico em que vejo tudo multiplicado mil vezes em um milhão de cores, me é necessário extravasar tantas cifras. Escrevo sobretudo por que não sei escrever mas sei que, mesmo sem saber, é preciso que eu o faça por uma questão de sobrevivência.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
De tudo ao meu amor serei atento...
Para além da falta que sentia restava a dúvida, teria realmente existido?
Adormeceu no chão em meio a cinzas de cigarro e taças vazias.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Anatomia
Por que para escrever é preciso ter vísceras, e para tê-las é preciso ter um corpo
E nesse corpo deve bater um músculo pulsante que irrigue a necessidade do ato
Para escrever é preciso ter necessidade
e esta por sua vez tem que pulsar e pulsar visceralmente
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| imagem aqui |
sábado, 18 de junho de 2011
Para Carlos, com amor e falhas.
“Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.” Samuel Beckett
Ficava a um canto observando os irmãos, eram tantos. Ele apenas mais um. Olhava todos sempre na esperança de dizer adeus. Um dia seria como todo mundo, só não queria ser igual aquele mundo em que caíra de pára-quedas. Descera ali porque ainda não sabia voar. Tinha esperança nas outras irmãs, filhas de outro tempo. Apesar de serem só metade era nelas que depositava o anseio de um dia ser inteiro. Nunca chegaram... nunca voltaram para lhe darem suas asas.
Carlinhos... pequeno grandemente. O apelido dado em casa, não o ‘inho’ o outro, encobria sua verdade, era todo misturado. Tão diferente dos outros, a mãe pensava. A mãe era franzina, pouca, mas era real. Os pensamentos do pai é que nunca o alcançaram, se a mente paterna dava conta de sua existência não sabia. Não sabia nem mesmo se ele, o pai, era como a mãe, real. O que sabia era que aquela figura pictórica estava sempre presa à jogatina da vida que levava, longe da prole que pôs no mundo. Não dava conta da própria vida e pôs no mundo sete filhos... sete! Número cabalístico.
Ele Carlinhos era o filho número... não sabia dizer a ordem que lhe caberia naquela vivência minguada. Nunca se preocupou de contar por que queria mesmo era linguagem, falava pouco.
- O apelido é por causa do cabelo, é engraçado, diziam.
Era nada! Não queriam lhe dizer a verdade, nunca fora dali. Era diferente de todos os que eram iguais. Gata borralheira versão ninguém sabe o quê, obrigado a varrer, lavar... eram pobres pobres,pobres,de marré, marré, marré. As brincadeiras ficavam para aquela gente mais abastada que morava no mundo fora daquela casa velha e pequena demais para comportar ele só. Os outros cabiam na medida, ele não.
Um dia fez para si asas de sonhos, e partiu daquele lugar do qual nunca fora. Caíra umas tantas vezes... era tão lindo o mundo! Cruel e lindo. Das falhas criava novas asas. Criou caminho próprio, linguagem própria. Falava agora outras línguas vivia outros mundos, tinha uma parte de si que era só linguagem. A alma era de papel.
Cresceu em vôos com coração de pássaro e conquistou o céu, sem saber que quando se é pássaro errante mais dia, menos dia, tem-se que voltar para entender que é preciso falhar em outros vôos.
Vai entender
Ela em uma tarde morna e calma olhou no fundo dos olhos dele e disse:
- Decifra-me ou te devoro...
Encontram-se casados há mais de trinta anos, ela com indigestão e ele sem ainda saber resolver mistérios.
- Decifra-me ou te devoro...
Encontram-se casados há mais de trinta anos, ela com indigestão e ele sem ainda saber resolver mistérios.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Não te esqueço, Joana
Os armários abertos muito mais que objetos, guardam saudades. Minhas lembranças evaporam como os cristais de naftalina. Elas não me chegam por um desejo racional, mas por palavras inauditas guardadas nos armários da memória.
E no silêncio da noite me vejo envolvida nessa aura mnemônica, a presença que tudo toma; me vejo na incapacidade de lembrar e na impossibilidade de esquecer. Tudo vem de “um não sei onde”: o balanço pendurado na árvore, que era só minha; o velho guarda-roupa que escondia minha alma; os soldadinhos aprisionados em caixas de fósforos, a casa. A sensação de ser erguida no colo como quem ascende ao céu e pode catar estrelas. Histórias-mentiras que viravam verdades e as verdades que preferi tratar sempre como mentiras. As palavras que não expressavam nada, mas diziam tudo nos livros que não podia ler. A partida. O refúgio. A volta.
Em páginas escritas li tudo sobre mim, sobre outros, sobre tudo e nada. Os armários que prendiam minha alma à velha casa abriram suas portas. Liberta, a alma procura repouso e repousa na palavra em que me salvei de mim mesma muitas vezes. Ensinaram-me a ler o mundo antes de tudo. Quantos mundos já li! As histórias da bisa nordestina, que não sabia ler. Olhos amarelos feitos pra ler mundos de lobisomens, de almas penadas, de feitiços... Os dedos grossos desenhavam apenas um único símbolo. Um dia, das páginas de um livro, saltou-me da memória acompanhado da frase que resumia Joana, a guerreira, que me ensinou a esquecer para lembrar: “Existe é homem humano. Travessia.”
Eu leio Drummond
Arrogância
Tinha uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma pedra.
Que pedra porra nenhuma, chutei!
Puta que pariuuuuuuu....
Parnasianos não sabem transar
Deus eu protesto, morte à teoria! Mas que ela ressuscite ao terceiro dia.
Entre a pena e a virgem de celulose Aldo se afligia. Trabalho hercúleo, pensava. Enquanto a pena desvirginava a ebúrnea virgem, quem gemeu foi o poeta: Arre! Esse negócio de escrever só pode ser coisa do Cão! Nesse momento o tinhoso que, curioso, estava por trás do escritor observando o perrengue disse:
- Minha não que até eu tô admirado!
Como preparar uma guerra
Guardava todos numa caixa vazia roubada e desprovida de função. Caixa de fósforos vazia serve pra quê?
Debaixo da árvore de castanholas, que não faziam música, esperava os soldadinhos.
Um a um guardados com todo cuidado, em pouco tempo teria um exército.
Morrer é dizer
Quando você me falta e tudo me resta o que sobra?
Quando me falta a letra, o vocábulo, a sintaxe, o que fica?
Quando a necessidade do dizer o teu nome chegar e encontrar o vazio, o indizível, o que acontecerá?
Um acontecimento apocalíptico se dará no rompimento entre o eu-sujeito e o tu-objeto e que nenhum código, por mais livre ou aprisionado que seja, dará conta de expressar. Mil bombas atômicas explodirão no silêncio do meu ser. Ser não será mais verbo, nem sujeito, nem objeto.
Será a indefinição do que não sou
neste momento, desejarei não-ser.
Só o teu nome restará no cemitério das palavras.
Suspenso no ar.
E minha voz mesmo morta
em meio à noite vazia
procurará dizer-te.
Querer não é poder
Querido Deus me dê a graça de um dia escrever algo que preste. Enquanto isso eu tento...
Em mente em cores em dores amores com mantras
palavras
cimento digerido
como fibras para tecer o dia
matéria inútil a poesia
O começo
Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
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Dá-me a graça oh! Deus
Amor amado armado amarelo azul amém
Matéria mitose Mozart
Outro órbita ornado horrível orla
Refém refaz remar rezar ruir
Que na hora das trindades ao proferir o amém na promessa de te amar
tu percorra a orla do meu corpo fazendo ruir meu desejo
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Não sei pra quê esquecer se um dia vou lembrar... isso não combina!
Querido Deus quanto tempo... mas é assim mesmo, eu levo um tempão pra me apegar as coisas. Falo do blog não de você. Hoje gostaria de falar, na verdade opinar, sobre algo que você criou e acho extremamente problemático: a memória. Pois bem, é tão confuso isso... tô até pesquisando sobre o assunto e até agora não cheguei a porra de conclusão nenhuma! Então minha principal indagação é: pra quê esquecer se eu estou condenada a lembrar... e olha que eu esqueço quase tudo, sacolas, aquele amor louco e como dizem meus sábios alunos #not, e etc. Por hoje deixo pra você esse pensamentozinho que formulei a respeito do assunto. Hein? Não falei de memória nele? Ué! Mas tá implícito!! Até porque não se faça de sonso desentendido pois você mais do ninguém nestas galáxias sabe muito bem de quem estou falando, hun!
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| a imagem veio daqui |
Na noite em que te perdi atravessei a cortina de névoa
em que vagava minha alma
E tua lembrança passou a ser esquecimento
Até que chegou a manhã clara e sóbria e a alma minha
quis achar-se perdida
domingo, 29 de maio de 2011
Não aprendi dizer adeus
Olha querido Deus o título da postagem é bem no plágio do brega sertanejo mas a coisa é séria! Não me assuste com essas ameaças de levar de mim o que mais amo! Não meça forças comigo, você pode infinitamente mais! Não é justo! Você não é justiça, hein?
me preparo para partir todos os dias, sei da minha finitude. Mas nem por um segundo estou preparada para perder as pessoas que amo. Meu amor entende eternidade.

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sábado, 28 de maio de 2011
Luxúria
Querido Deus, livrai-me deste pecado:
Filosofia oral
Os espermatozóides em trânsito pelas amídalas, filosofaram:
Os meios justificam os fins!
Aniversários, longevidade e a periferia não combinam.
Querido Deus, eu estou começando esse blog primeiro por que pagar terapia tá caro e meu plano só dá direito a 10 sessões. O que nós sabemos não será suficiente. E quero começar com algumas sugestões e observações, ou vice-versa. Bom, hoje é o aniversário do Teixeira, meu vizinho bêbado, cretino, gigolô da terceira idade, que ouve música brega nas alturas e cobre o carro com capa de toalha de mesa. Hoje ele tá comemorando seus 61 anos, com um típico aniversário na periferia: cachaça, música ordinária no último volume e carne de terceira queimando na brasa. Por essa descrição você, Deus, já devia inferir que o fato dele está fazendo 61 anos é uma incoerência absurda. Acho que nos rumos em que esse planeta vai a seleção é um quesito básico! 61 anos! Consumindo energias do planeta, principalmente álcool, contribuindo para a degradação do gênero humano e para a venda de CDs piratas de música brega. Agora me responda: com qual finalidade, hein? Sei que cada religião teria uma explicação:
Católicos: todos são filhos de Deus!
Eu: família cretina a sua, Deus!
Evangélicos: Deus tem um plano na vida de todos.
Eu: em certos casos o plano deveria expirar em 3, 2,1...
Espíritas: é um ser em evolução.
Eu: ele chegou no último estágio já, espírito de porco!
Mulçumanos: todos têm que compartilhar a vontade de Alá!
Eu: Teixeira já pode se explodir no primeiro vagão centro/Caucaia.
Bom querido Deus ante minhas observações sugiro que você não prolongue o sofrimento dessa alma, falo da minha. Gostaria de dizer no próximo ano: “era um bom sujeito o Teixeira!” (todo falecido fica bom sujeito, tá!)
Não, não me entenda mal! Não sou uma péssima pessoa. Mas em se tratando de falar com Deus tenho que ser sincera.
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