quinta-feira, 16 de junho de 2011

Parnasianos não sabem transar

Deus eu protesto, morte à teoria! Mas que ela ressuscite ao terceiro dia.



Entre a pena e a virgem de celulose Aldo se afligia. Trabalho hercúleo, pensava. Enquanto a pena desvirginava a ebúrnea virgem, quem gemeu foi o poeta: Arre! Esse negócio de escrever só pode ser coisa do Cão! Nesse momento o tinhoso que, curioso, estava por trás do escritor observando o perrengue disse:
- Minha não que até eu tô admirado!

Como preparar uma guerra

Guardava todos numa caixa vazia roubada e desprovida de função. Caixa de fósforos vazia serve pra quê? 
Debaixo da árvore de castanholas, que não faziam música, esperava os soldadinhos. 
Um a um guardados com todo cuidado, em pouco tempo teria um exército. 
Seus planos: soltar todas as asas em preto e branco voar e virar poeta. Poeta voa, pensava.

Morrer é dizer

Quando você me falta e tudo me resta o que sobra?
Quando me falta a letra, o vocábulo, a sintaxe, o que fica?
Quando a necessidade do dizer o teu nome chegar e encontrar o vazio, o indizível, o que acontecerá?

Um acontecimento apocalíptico se dará no rompimento entre o eu-sujeito e o tu-objeto e que nenhum código, por mais livre ou aprisionado que seja, dará conta de expressar. Mil bombas atômicas explodirão no silêncio do meu ser. Ser não será mais verbo, nem sujeito, nem objeto. 
Será a indefinição do que não sou
                                   neste momento, desejarei não-ser.
Só o teu nome restará no cemitério das palavras. 
                                    Suspenso no ar.
E minha voz mesmo morta
                  em meio à noite vazia 
                                     procurará dizer-te.

Querer não é poder

Querido Deus me dê a graça de um dia escrever algo que preste. Enquanto isso eu tento...




Em mente em cores em dores amores com mantras
                         palavras 
                                       cimento digerido 
como fibras para tecer o dia
                                       matéria inútil a poesia

O começo

Viu Deus que a luz era boa; 


e fez separação entre a luz e as trevas.
  
 E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a 

manhã, 
  
    o dia primeiro.

   
Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; 


à imagem de Deus o criou;
  
homem e mulher os criou.

Gn 1:4;5;27



Na manhã em que a dúvida nasceu

A tarde findou lilás
E trouxe a noite em que teu olhar cruzou o meu

Dá-me a graça oh! Deus

Amor amado armado amarelo azul amém
          Matéria  mitose Mozart
                     Outro órbita ornado horrível orla
                                Refém refaz remar rezar ruir
        Que na hora das trindades ao proferir o amém na promessa de te amar
               tu percorra a orla do meu corpo fazendo ruir meu desejo

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Não sei pra quê esquecer se um dia vou lembrar... isso não combina!

Querido Deus quanto tempo... mas é assim mesmo, eu levo um tempão pra me apegar as coisas. Falo do blog não de você. Hoje gostaria de falar, na verdade opinar, sobre algo que você criou e acho extremamente problemático: a memória. Pois bem, é tão confuso isso... tô até pesquisando sobre o assunto e até agora não cheguei a porra de conclusão nenhuma! Então minha principal indagação é: pra quê esquecer se eu estou condenada a lembrar... e olha que eu esqueço quase tudo,  sacolas, aquele amor louco e como dizem meus sábios alunos #not, e etc. Por hoje deixo pra você esse pensamentozinho que formulei a respeito do assunto. Hein? Não falei de memória nele? Ué! Mas tá implícito!! Até porque não se faça de sonso desentendido pois você mais do ninguém nestas galáxias sabe muito bem de quem estou falando, hun!

a imagem veio daqui
Eis:

Na noite em que te perdi atravessei a cortina de névoa


em que vagava minha alma


E tua lembrança passou a ser esquecimento


Até que chegou a manhã clara e sóbria e a alma minha 


quis achar-se perdida