Quando você me falta e tudo me resta o que sobra?
Quando me falta a letra, o vocábulo, a sintaxe, o que fica?
Quando a necessidade do dizer o teu nome chegar e encontrar o vazio, o indizível, o que acontecerá?
Um acontecimento apocalíptico se dará no rompimento entre o eu-sujeito e o tu-objeto e que nenhum código, por mais livre ou aprisionado que seja, dará conta de expressar. Mil bombas atômicas explodirão no silêncio do meu ser. Ser não será mais verbo, nem sujeito, nem objeto.
Será a indefinição do que não sou
neste momento, desejarei não-ser.
Só o teu nome restará no cemitério das palavras.
Suspenso no ar.
E minha voz mesmo morta
em meio à noite vazia
procurará dizer-te.